sábado, 9 de agosto de 2008

Os brasileiros na NBA


Com o início dos Jogos Olímpicos de Pequim, vamos falar daqueles que não estarão na disputa do torneio: os brasileiros. Iremos, cronologicamente, lembrar de como eles foram aparecendo na liga e, por consequência, nos dando esperança de dias melhores para a nossa seleção.

Já em 2002, a situação do Brasil no cenário do basquete internacional era preocupante, pois, já naquela época, nossa seleção parecia não ter forças para enfrentar as principais potências do mundo. Enquanto isso, nos Estados Unidos, no Draft daquele mesmo ano, o New York Knicks, com a sétima escolha, selecionou Nenê Hilário, que seria o primeiro brasileiro a jogar uma temporada completa na NBA. Aquilo foi um grande acontecimento. Para se ter idéia, Nenê foi escolhido antes do que jogadores como Amare Stoudamire, Caron Butler, Tayshaun Prince e Carlos Boozer.

Na mesma noite, a direção do Knicks decidiu negociar a sua escolha, junto com o pivô Marcus Camby, com o Denver Nuggets, em troca de Antonio McDyess. Para Nenê, era o lugar perfeito para iniciar a sua trajetória na liga: com pouca pressão nos seus ombros. Com a contusão de Camby, o brasileiro assumiu a vaga de center no quinteto inicial da equipe. Em seu primeiro ano, atuou em 80 partidas e teve médias de 10.5 pontos e 6.1 rebotes por jogo. Disputou o jogo dos novatos no All-Star Game de 2003. Era uma promessa, sem dúvidas. Certa vez, Dirk Nowitzki deu uma entrevista à ESPN Brasil e declarou que Nenê tinha tudo para se tornar uma das estrelas da liga.
Mas o Denver, que era uma equipe muito fraca, foi se fortalecendo. Com a chegada de Carmelo Anthony através do Draft de 2003, Nenê aumentou um pouco as suas médias no seu segundo ano e o Nuggets chegou aos playoffs. Logo a partir da sua terceira temporada, Nenê passou a perder parte da sua importância para a equipe. Muito se deve às contusões e à contratação de Kenyon Martin, que deixou o brasileiro no banco de reservas. Somando as últimas três temporadas, Nenê jogou apenas 81 partidas. É claro que a batalha contra o câncer durante o último ano contribui muito com o seu grande tempo afastado das quadras e, consequentemente, com o estacionamento da sua evolução como jogador dentro da liga.
Um ano após a entrada de Nenê, foi a vez de Leandrinho Barbosa ser selecionado no final do Draft de 2003. Foi escolhido pelo San Antonio Spurs, mas foi trocado com o Phoenix Suns na mesma noite. E foi no time de Arizona que o jogador construiu a sua história. A princípio, amargou a reserva de Stephon Marbury. Quase nunca entrava em quadra, até uma negociação mudar o seu destino.

A negociação envolveu o seu grande amigo e titular absoluto da equipe Stephon Marbury, que foi para o New York Knicks. Howard Eisley, que também estava envolvido na troca, seria o titular. Mas a transação ocorreu no meio da temporada. E em uma partida contra o Chicago Bulls, o então técnico do Suns Mike D'Antoni não tinha muitas opções no elenco. Ainda não podia contar com os novos reforços. Leandrinho foi escalado como titular naquele embate. Sua ótima apresentação convenceu o treinador, que deixou o veterano Eisley como opção no banco de reservas.
Com a chegada de Steve Nash, Barbosa voltou à condição de reserva. Mas como já tinha certa confiança de D'Antoni, entrava cada vez mais nas partidas. Agradava tanto a comissão técnica que foi deslocado para a posição 2, para assim não precisar entrar em quadra apenas quando Nash tivesse cansado. Cada vez mais Leandrinho foi se firmando como peça importante na rotação do Phoenix Suns. Com sua velocidade e habilidade nos arremessos de média e longa distância, adaptou-se ao estilo de jogo que D'Antoni empregava na equipe: o Run and Gun. Na temporada 2006-07, venceu o prêmio de melhor sexto homem. É um dos grandes pontuadores da sua equipe. Tornou-se peça de fundamental importância para o time, conbiçado também por algumas outras franquias.

Alex Garcia, após impressionar Gregg Popovich em uma partida contra os Estados Unidos, foi contratado pelo San Antonio Spurs em 2003. Infelizmente, sofreu muito com seguidas contusões. Não teve uma oportunidade concreta de jogar. Teve também uma passagem-relâmpago pelo New Orleans Hornets. Mas, novamente, sofreu com lesões e deixou a NBA.

Em 2004, pela primeira vez na história, dois brasileiros tiveram seus nomes chamados na noite do Draft. O Toronto Raptors, com a oitava escolha, selecionou Rafael "Baby" Araújo, pivô que vinha de BYU. E Anderson Varejão foi recrutado pelo Orlando Magic no início do segundo round, mas foi negociado com o Cleveland Cavaliers. Ao fim daquela noite, muitos brasileiros que acompanhavam a cerimônia imaginavam como seria o futuro quinteto titular da seleção brasileira, já que haviam cinco representantes no melhor basquete do mundo. O futuro nunca pareceu tão promissor. De fato, a situação toda permitia com que tivéssemos esse tipo de pensamento.

Mas a trajetória de Baby foi apagadíssima. Em duas temporadas com o time canadense, não era nem de longe um titular absoluto, muito pelo contrário: atuava cerca de 15 minutos por jogo apenas, com médias que não ultrapassavam os 3.3 pontos e 3.1 rebotes por partida. Foi para o Utah Jazz e, mesmo nas mãos de Jerry Sloan, não conseguiu desenvolver o seu jogo. Após três temporadas, Baby se despedia da NBA e entrava para a história como uma daquelas péssimas escolhas de primeiro round nos Drafts.

Já Varejão teve uma história semelhante à de Leandrinho. Começou sem muito espaço no Cavaliers, mas foi agarrando as oportunidades que apareciam. Sua garra fora do comum e a grande aptidão defensiva fizeram com que Anderson caísse nas graças não só de seu técnico, mas também de sua torcida. Com exceção de Lebron James, Varejão é o jogador que mais vende camisas da sua equipe. Na Quicken Loans Arena, ginásio dos Cavaliers, a torcida compra perucas do Wild Thing - apelido que ganhou nos EUA - para assistir os jogos. Está bem longe de ser um dos grandes craques da NBA, mas é um jogador importante na rotação da sua equipe, muito útil defensivamente e um bom reboteiro. Quando requisitado, corresponde à altura do que se espera dele.

Marcus Vinícius também já esteve na NBA, mas sua trajetória se assemelha a de Rafael Araújo. Com pouco espaço, não deixou saudades no New Orleans Hornets, onde jogou 27 partidas ao longo de duas temporadas. Nesse ano, logo que chegou ao Memphis Grizzlies através de uma troca, foi dispensado. Não voltou mais à atuar na liga depois disso.

Ao longo dos últimos seis anos, colecionamos alguns sonhos, especialmente quando vimos alguns de nossos jogadores entrarem na melhor liga de basquete do mundo - isso sem falar naqueles que eram contratados por equipes européias. Especialmente quando Varejão e Baby entraram na liga, ao mesmo tempo em que Leandrinho ganhava destaque e Nenê era tido como uma grande promessa, muitos esperavam ansiosamente por um futuro esperançoso do nosso basquete. Entretanto, o progresso parou por aí. A Confederação Brasileira continuou a fazer o que sempre fez: nada. E alguns daqueles que estavam na NBA acabaram deixando a liga por deficiência.

Seis brasileiros estiveram na liga, mas hoje restam apenas três: Nenê, Leandrinho e Varejão. O primeiro, mesmo com um início de carreira muito promissor, ainda procura se firmar e voltar à evolução que vinha apresentando nos primeiros anos de carreira. E, após ter vencido a batalha pela vida no ano passado, terá condições de retomar seu caminho. Já os outros dois conquistaram seus espaços e dificilmente serão mais do que são hoje: bons reservas.

Em uma comparação com os argentinos, relacionamos o sucesso de seus atletas na NBA com o sucesso da seleção. A Argentina é a atual campeã olímpica e uma das poucas seleções no mundo capaz de enfrentar os americanos e os fazer com que eles se sintam ameaçados. Andrés Nocioni, Fabricio Oberto e Luis Scola chegaram na NBA e se estabeleceram em suas equipes. Walter Herrmann, mesmo com pouco tempo de quadra devido à grande concorrência no Detroit Pistons, assinou um novo contrato com a equipe. Carlos Delfino nunca foi um jogador que chamasse a atenção dentro da NBA, mas tanto no Pistons como no Toronto Raptors, tinha lá o seu papel vindo do banco de reservas e o desempenhava muito bem. Entretanto, com proposta financeiramente melhor, foi para a Europa. Por fim, Manu Ginóbili é gênio. Sua nacionalidade é como se fosse um detalhe perto do seu brilhantismo: não é um argentino dentro da NBA, é um grande jogador que nasceu na Argentina.

Talvez a ausência de um jogador decisivo, algo como Manu é para a Argentina, possa explicar alguns fracassos brasileiros. Ou então o número inferior de jogadores bem estabelecidos possa explicar parte da nossa inferioridade. Jonathan Tavernari, possivelmente, será mais um futuro representante do nosso basquete na NBA. Mas não é certo, não é lógico e não é justo colocarmos todas as nossas fichas nele. O que nós precisamos não é de um jogador como ele, e sim de mais jogadores como ele. Necessitamos de mais qualidade e, ao mesmo tempo, de mais quantidade.
Como se não bastasse tanta diferença entre a recente história de sucesso do basquete argentino com a do brasileiro, existe uma que, no momento, é a maior de todas. Ginóbili, Nocioni, Oberto, Scola e Herrmann também estão na NBA. Mas nenhum deles nunca se recusou a representar o seu país.

sábado, 19 de julho de 2008

Pronto para fazer história?

Derrick Rose foi a primeira escolha do Draft de 2008. O mais novo armador do Chicago Bulls declarou que, logo em seu ano de estréia, vai lutar para ser o melhor. Não se trata de vencer o Rookie of the Year, mas sim o cobiçado prêmio de MVP.

Se conseguir alcançar o seu objetivo, Rose definitivamente entrará para a história da NBA. Primeiro porque grandes astros do passado encerraram suas carreiras sem tal conquista. John Stockton, Scottie Pippen, Patrick Ewing e Reggie Miller são apenas alguns dos exemplos mais recentes que podemos citar. Além disso, Kobe Bryant, tido para muitos como o melhor na atualidade, foi o MVP pela primeira vez na última temporada.

Na história da NBA, apenas um jogador foi eleito o melhor da liga em seu ano de estréia. Trata-se de Wilt Chamberlain, que estreiou na liga na temporada de 1959-60 com médias de 37.6 pontos e 27 rebotes por partida e venceu o prêmio de MVP. Foi o primeiro dos quatro prêmios que ganhou na sua carreira.

Ao longo dos anos, com um maior grau de competitividade entre os times e o crescimento do nível dos jogadores de uma forma geral, ficou muito difícil de repetir o feito de Chamberlain. Bill Russell e Kareem Abdul-Jabbar, dois outros extraordinários pivôs da história da NBA, foram eleitos os melhores da liga quando estavam no segundo ano de suas carreiras. Nem mesmo Michael Jordan conseguiu reinar logo no seu ano de estréia, tendo conquistado seu primeiro MVP "apenas" na sua quarta temporada.

Para os torcedores, admiradores e simpatizantes do Chicago Bulls que se encheram de esperança com a aquisição do novo camisa 1, é necessário ter calma, muita calma. É raríssimo um jogador ingressar na liga e, logo de cara, comandar seu time às fases finais. Na final da Conferênica Leste desse ano, o novato do Detroit Pistons Rodney Stuckey se destacou pela sua personalidade. E na grande final de 2007, Daniel Gibson teve a mesma atitude e agradou os fãs do Cleveland Cavaliers. Entretanto, os dois jogadores não eram os comandantes de suas equipes, não eram nem titulares. E ambos saíram derrotados das séries que disputaram, já que o Boston Celtics eliminou o Pistons antes de ser campeão nesse ano e o Cavaliers foi varrido na final pelo San Antonio Spurs em 2007.

Nos últimos anos, nenhuma equipe campeã tinha um novato na liderança do elenco. Aliás, ao longo da história mais recente, poucos tinham uma participação de destaque durante os jogos. O Detroit Pistons foi campeão em 2003-04 e tinha no banco Darko Milicic, jogador que havia sido a segunda escolha geral do Draft de 2003, mas que terminou a temporada com uma média inferior a cinco minutos por partida. Em 1993-94, Sam Cassell estava no elenco campeão do Houston Rockets, mas ainda não tinha a mesma importância nem os mesmos minutos que viria a ter anos depois. O último novato que realmente foi determinante no título de sua equipe foi Magic Johnson, na temporada 1979-80. Mesmo assim, Johnson tinha ao seu lado outros grandes jogadores.

São apenas pequenos levantamentos históricos para ilustrar a dificuldade que terá Derrick Rose, se realmente quiser alcançar a sua meta. Vale lembrar também que nem sempre os melhores jogadores vencem o prêmio de melhor novato. Na temporada 2004-05, a discussão sobre quem deveria levar o prêmio se baseava em Ben Gordon e Emeka Okafor. O jogador do Bobcats levou a melhor, mas hoje é evidente que o melhor jogador daquele Draft é o superman Dwight Howard, do Orlando Magic. Dois anos antes, a situação era a mesma com LeBron James e Carmelo Anthony. James venceu e realmente é, na atualidade, muito mais jogador do que Anthony. Mas na época não era muito evidente a diferença entre os dois. E para falar somente em armadores, nada melhor que a safra de 2005, que trouxe Deron Williams e Chris Paul à liga. Os dois são hoje os mais talentosos jogadores que existem na posição. Contudo, não tiveram um grande impacto em suas equipes logo em suas chegadas, tendo o New Orleans Hornets, por exemplo, alcançado os playoffs apenas nessa última temporada.

Derrick Rose pode ter se precipitado um pouco ao querer mostrar um pouco de vontade a mais na sua declaração. Mas, ainda assim, é necessário dar tempo ao tempo e deixar o garoto se desenvolver naturalmente.

Agora sim.....tudo está perdido !


Infelizmente, a seleção masculina de basquete está fora dos Jogos Olímpicos em Pequim. Nessa sexta-feira a seleção Brasileira perdeu para a Alemanha por 78 a 65. O Brasil não se classifica para uma Olimpíada desde os Jogos de Atlanta, em 1996.

Depois de um primeiro quarto muito bom, perdendo apenas por 14 a 13, a seleção de Moncho parou em quadra no segundo e viu a Alemanha de Dirk Nowitzki deslanchar no placar. A partir dai o que se viu foi uma seleçào Brasileira abatida e sem reação em quadra e uma Alemanha apenas administrando a vantagem que tinha.

Um ponto relevante de ser comentado é o aproveitamento nas bolas de 3 pontos durante o jogo. Enquanto os alemães anotaram 13 ( sendo 5 do armador Pascal Roller ), o Brasil anotou apenas 3 de 21 tentativas. Um aproveitamento baixíssimo em se tratando de basquete de alto nível.

A seleção foi eliminada e ficará mais uma vez sem participar dos Jogos Olímpicos, mas fica aqui meu total respeito para com esse grupo que foi dar a cara a tapa em Atenas atrás dessa vaga. E fica também meu repúdio para alguns jogadores ( Leandro Barbosa, Nene, Varejão, Guilherme e Valtinho ) que pediram dispensa alegando problemas de ordem médica.

Quem sabe se tivessemos esses jogadores poderiamos estar comemorando uma vaga Olímpica ao invés de lamentar a derrota. Mas isso é apenas uma suposição, e acredito que em toda derrota devemos tirar alguma lição, e que o Brasil tenha aprendido algo com tudo isso, não dentro da quadra, mas fora dela. É preciso mais atenção, mais incentivo, mais investimento, mais respeito e muito mais organização. O basquete brasileiro merece isso, e nós, fãs do esporte, também!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Nada está perdido......ainda !


A seleção masculina de basquete perdeu hoje para a forte equipe da Grécia pelo pré-olímpico mundial em Atenas. O placar final foi 89 a 69.

Como eu disse, no jogo contra o Líbano, não havia a possibilidade de analisar o time brasileiro pois o adversário era fraco. Mas hoje, depois do jogo contra os gregos, posso dizer que as coisas não estão boas para o time de Moncho Monsalve.

Depois de fazer um primeiro quarto muito bom, perdendo por apenas 18 a 17, se perdeu no segundo quarto contra uma defesa muito agressiva por parte dos gregos. Os brasileiros não conseguiram respirar com essa defesa e nossa válvula de escape, Marcelinho Huertas, saiu antes da metade do jogo pendurado com 4 faltas.

Com esse panorama desenhado, ficou fácil para a forte equipe da Grécia impor seu basquete e administrar a vantagem que tinha.

O destaque do Brasil foi novamente o pivô Tiago Splitter, com um jogo bastante consistente tanto na defesa quanto no ataque, ele mostrou ser um excelente jogador. O ponto negativo foi o ala Marcelinho Machado, que não conseguiu repetir as atuações anteriores pelo Brasil obtendo um baixo aproveitamento nas bolas de 3.

Nas quartas-de-final, o adversário da equipe brasileira será nada mais nada menos que a Alemanha do pivô Dirk Nowitzki. Mesmo contra essa difícil seleção, continuo esperançoso. Vamos torcer para que no próximo jogo do Brasil Tiago Splitter mostre seu basquete eficiente, que o Alex marque de forma agressiva, que Marcelinho Machado acerte seus chutes para 3 e que Marcelinho Huertas arme o jogo e faça o time todo jogar.

É esperar sexta-feira para ver, mas acredito nesse time e espero trazer boas novas no próximo post.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Última chance para Pequim



Depois de muito diz que me diz, novo técnico, desistência de jogadores e muito trabalho, o Brasil estreou hoje no Pré-Olímpico de basquete em Atenas contra o Líbano. Essa é a ultima chance do time brasileiro conseguir uma das três vagas e voltar a disputar uma Olimpíada depois de um intervalo de 12 anos.


E contra os Libaneses, o time de Moncho Monsalve não teve dificuldades para vencer por 94 a 54. Uma vitória importante, mas que não mostra muita coisa pela fragilidade da equipe adversária.


A partida foi tão tranquilidade que o treinador espanhol usou 11 de seus 12 jogadores nos primeiros 20 minutos - apenas Ricardo Probst não foi para a quadra. Com toda essa rotatividade não é possível fazer uma análise pormenorizada dessa equipe, vou esperar o próximo jogo contra a Grécia parar analisar essa seleção melhor.


Posso dizer que essa vitória é muito importante para a seleção, mas que os pés dos jogadores continuem no chão, trabalhando duro e focado na competição. Todas as pessoas com quem conversei está reticente com o basquete brasileiro, principalmente depois que seu principal astro ( Leandro Barbosa ) pediu dispensa da mesma, sem falar no Varejão e no Nenê.


Eu, indo contra todos, acho essa seleção boa e que pode sim trazer uma vaga desse pré olímpico. E vou mais além, com as saídas das estrelas, esse time ficou muito mais coeso e focado, um grupo fechado como dizem por ai. Gosto dessa equipe e do basquete que eles vem apresentando, um basquete mais para o estilo europeu, com uma marcação forte e saída de bola cadenciada.


Mas como eu disse, pés no chão, é isso que precisamos para alcançar a vaga. Nada está ganho ainda, principalmente porque o próximo jogo será contra a Grécia, que joga em casa e é favorita ao título.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Uma nova fase? - Introdução

por Fabrício Watanabe

(Esse é o primeiro de alguns posts que serão feitos nas próximas semanas. Este faz uma revisão das temporadas na década de 2000, e apenas dá uma pequeeeena introdução ao que será discutido posteriormente.)

A história da NBA pode ser dividida em grandes eras, quase que por décadas: a hegemonia dos Celtics nos anos 60, o Showtime dos 80, o Bulls dos 90 e etc. Em um menor espaço de tempo, pode-se nomear como "fases" os cenários da liga no que se diz respeito a grandes equipes e disputas de conferências. O basquete norte-americano pode estar entrando na sua terceira fase nesse término da oitava temporada da década de '00.

Vamos relembrar...

O primeiro período durou três ou quatro anos. Ou seja, foi desde o ano 2000 até no máximo 2003. Eesse intervalo ficou marcado pela dinastia do tricampeonato do Los Angeles Lakers, com base na dupla dinâmica Kobe/Shaq. Esse time continuou sendo uma figura fortíssima até o ano de '04, porém essas duas temporadas ficam mais caracterizadas como uma transição, pois não resultaram em títulos.

-Times fortes: Phoenix Suns ('00, '01), Utah Jazz ('00, '01), Portland Trail Blazers, Sacramento Kings, San Antonio Spurs, New York Knicks ('00), Miami Heat ('00, '01), Miwaukee Bucks ('01)Philadelphia 76ers ('01, '02), Indiana Pacers ('00, '01), Toronto Raptors (até '02), Boston Celtics ('02), New Jersey Nets
-Grande Potência: Los Angeles Lakers.
-Times em ascendência (no fim do período): Dallas Mavericks, Detroit Pistons, Phoenix Suns.


A segunda fase começa sua transição em '03, quando o Spurs de Duncan/Robinson e dos jovens Parker/Ginobili conseguem finalmente derrubar o Lakers e, na final, deixam o New Jersey Nets de Jason Kidd na vontade pela segunda vez seguida. No ano seguinte, mesmo com grandes times no Oeste, o equilibrado Pistons de Billups/Hamilton/Prince/doubleWallace sagrou-se campeão.
Em '06, foi a vez do time-de-curta-duração Miami Heat, com Shaq/Wade, vencer seu primeiro título. Os Mavericks, que tinham elimanado os Spurs, ficaram com o vice. Apesar de não ter conquistado títulos seguidos ('03, '05, '07), foi realmente o San Antonio Spurs o "time a ser batido" dessa segunda fase.

-Times fortes: Los Angeles Lakers (até '04), Minnesota Timberwolves ('04), Phoenix Suns ('05 até ?), Dallas Mavericks, New Jersey Nets ('03), Indiana Pacers('03, '04), Miami Heat ('05, '06), Cleveland Cavaliers ('06, '07), Detroit Pistons.
-Grande Potência: San Antônio Spurs.
-Times em ascendência: Utah Jazz, Denver Nuggets, Los Angeles Lakers , Houston Rockets, Chicago Bulls.

E agora?
O cenário da NBA balança nesse momento. O Boston Celtics renasce das cinzas, continuará forte nos próximos anos e obviamente é o time a ser batido no momento. Não muito atrás, New Orleans Hornets e Lakers também mostram sinais de força nos anos que estão por vir, principalmente por ter muito potencial em jogadores como Cris Paul, David West e Andrew Bynum. Nuggets, Hockets, Cavaliers e Suns possuem elencos talentosos, mas precisam de algo mais para estarem no nível dos três antes citados.
Mas o assunto do segundo post dessa série se diz respeito a três times que tiveram forte presença e ganharam títulos nessa década: Spurs, Mavericks e Pistons. Será que o envelhecimento vai destruí-los? Será que vão conseguir se renovar? Será o fim de temporadas vitoriosas para seus franchise players?

Seria a temporada 07/08 uma transição para uma nova fase?

domingo, 29 de junho de 2008

Balanço do Draft 2008


Depois de analisar o que poderia acontecer, chegou a hora de fazer um balanço do Draft, que ocorreu na última quinta-feira no Madison Square Garden, em Nova York.


Nas três primeiras escolhas, nada de surpresas. Derrick Rose foi o primeiro selecionado e será agora o camisa 1 do Chicago Bulls. O Miami Heat, que chegou a considerar uma troca envolvendo a sua segunda escolha, resolveu não inventar e pegar Michael Beasley. E o Minnesota Timberwolves, conforme dissemos na coluna anterior, escolheu OJ Mayo - o melhor jogador à disposição depois de Rose e Beasley. Mas Mayo já não pertence mais ao ex-time de Kevin Garnett. Explicaremos mais tarde...


O Seattle Supersonics surpreendeu na sua quarta escolha: selecionou o bom armador Russell Westbrook, que não estava cotado entre os cinco primeiros nomes a serem chamados. Se a comissão técnica do Sonics realmente julga que a maior necessidade da equipe seja um armador, então a escolha foi bem feita. Afinal de contas, Jarryd Bayless - o outro armador que figurava entre as possíveis dez primeiras escolhas - sofrerá ainda um bom tempo com a sua falta de visão e leitura de jogo.


O Memphis resolveu apostar em um dos melhores homens de garrafão desse Draft: o ala-pivô Kevin Love. Já o New York Knicks, na sexta escolha, selecionou o italiano Danilo Galinari. O jovem ala foi vaiado desde o início do evento. E no momento em que seu nome foi chamado como escolha do time local, as vaias se multiplicaram. Já é uma prática bastante comum os jogadores europeus que são desconhecidos do público americano serem vaiados pelo público que compare às cerimônias. Embora a torcida não tenha gostado, muitos especialistas aprovam a escolha de Galinari.


Brook Lopez, surpreendentemente, foi apenas a décima escolha. Tudo bem que era de se esperar que o jogador fosse selecionado antes, mas o jovem pivô caiu em um time ideal para o início de sua carreira. O New Jersey Nets sofre já há algum tempo com a falta de pivôs. Além disso, o time, que horas antes do Draft havia negociado Richard Jefferson para o Milwaukee Bucks em troca de Yi Jianlian e Bobby Simmons, está passando por uma reformulação e terá muitos jovens no seu elenco na próxima temporada.


De resto, vale a pena prestar uma atenção especial em mais três escolhas desse Draft. Roy Hibbert foi selecionado pelo Toronto Raptors, mas será jogador do Indiana Pacers em virtude da troca que levou Jermaine O'neal ao time canadense. Hibbert já demonstrou muito potencial na sua carreira na NCAA. Pode até vir a ser um jogador de pouco destaque, mas tem uma coisa que significa muito: ele vem da Universidade de Georgetown, que tem tradição de revelar grandes pivôs, tais como Patrick Ewing, Dikembe Mutombo e Alonzo Mourning. Chris Douglas-Roberts, companheiro de Derrick Rose na Universidade de Memphis, tem um ótimo arremesso e só não foi selecionado no primeiro round porque errou lances livres decisivos na final da NCAA. O New Jersey Nets, que o recrutou na 40a escolha, terá um jogador muito bom no seu plantel, que será muito importante para a rotação da equipe. Além dos dois, é bom prestar a atenção em DeAndre Jordan. O pivô é mais um jogador que estava cotado para ser selecionado ainda no primeiro round, mas foi escolhido só no começo do segundo pelo Los Angeles Clippers. Muitos especialistas afirmam: Jordan será um novo Dwight Howard ou um novo Michael Olowokandi. Se ele seguir a primeira opção, com certeza falaremos dele nos próximos anos como grandes jogadores selecionados no segundo round.


Algumas trocas ocorreram na noite de quinta-feira além da já citada negociação envolvendo Nets e Bucks. As principais foram a ida de Jermaine O'neal para o Toronto Raptors em troca de TJ Ford, Rasho Nesterovic e a 17a escolha (que se tornou Roy Hibbert) e a mega troca de Timberwolves e Grizzlies: a terceira escolha OJ Mayo, Antoine Walker, Marko Jaric e Greg Buckner foram para Memphis em troca de Kevin Love (quinta escolha), Brian Cardinal, Jason Collins e Mike Miller.


Derrick Rose e Michael Beasley, até que se prove o contrário, deverão brigar pelo prêmio de melhor novato da próxima temporada. OJ Mayo deve correr por fora. A partir de agora, resta-nos esperar e ver se esses atletas correspondem às nossas expectativas.