sábado, 19 de julho de 2008

Pronto para fazer história?

Derrick Rose foi a primeira escolha do Draft de 2008. O mais novo armador do Chicago Bulls declarou que, logo em seu ano de estréia, vai lutar para ser o melhor. Não se trata de vencer o Rookie of the Year, mas sim o cobiçado prêmio de MVP.

Se conseguir alcançar o seu objetivo, Rose definitivamente entrará para a história da NBA. Primeiro porque grandes astros do passado encerraram suas carreiras sem tal conquista. John Stockton, Scottie Pippen, Patrick Ewing e Reggie Miller são apenas alguns dos exemplos mais recentes que podemos citar. Além disso, Kobe Bryant, tido para muitos como o melhor na atualidade, foi o MVP pela primeira vez na última temporada.

Na história da NBA, apenas um jogador foi eleito o melhor da liga em seu ano de estréia. Trata-se de Wilt Chamberlain, que estreiou na liga na temporada de 1959-60 com médias de 37.6 pontos e 27 rebotes por partida e venceu o prêmio de MVP. Foi o primeiro dos quatro prêmios que ganhou na sua carreira.

Ao longo dos anos, com um maior grau de competitividade entre os times e o crescimento do nível dos jogadores de uma forma geral, ficou muito difícil de repetir o feito de Chamberlain. Bill Russell e Kareem Abdul-Jabbar, dois outros extraordinários pivôs da história da NBA, foram eleitos os melhores da liga quando estavam no segundo ano de suas carreiras. Nem mesmo Michael Jordan conseguiu reinar logo no seu ano de estréia, tendo conquistado seu primeiro MVP "apenas" na sua quarta temporada.

Para os torcedores, admiradores e simpatizantes do Chicago Bulls que se encheram de esperança com a aquisição do novo camisa 1, é necessário ter calma, muita calma. É raríssimo um jogador ingressar na liga e, logo de cara, comandar seu time às fases finais. Na final da Conferênica Leste desse ano, o novato do Detroit Pistons Rodney Stuckey se destacou pela sua personalidade. E na grande final de 2007, Daniel Gibson teve a mesma atitude e agradou os fãs do Cleveland Cavaliers. Entretanto, os dois jogadores não eram os comandantes de suas equipes, não eram nem titulares. E ambos saíram derrotados das séries que disputaram, já que o Boston Celtics eliminou o Pistons antes de ser campeão nesse ano e o Cavaliers foi varrido na final pelo San Antonio Spurs em 2007.

Nos últimos anos, nenhuma equipe campeã tinha um novato na liderança do elenco. Aliás, ao longo da história mais recente, poucos tinham uma participação de destaque durante os jogos. O Detroit Pistons foi campeão em 2003-04 e tinha no banco Darko Milicic, jogador que havia sido a segunda escolha geral do Draft de 2003, mas que terminou a temporada com uma média inferior a cinco minutos por partida. Em 1993-94, Sam Cassell estava no elenco campeão do Houston Rockets, mas ainda não tinha a mesma importância nem os mesmos minutos que viria a ter anos depois. O último novato que realmente foi determinante no título de sua equipe foi Magic Johnson, na temporada 1979-80. Mesmo assim, Johnson tinha ao seu lado outros grandes jogadores.

São apenas pequenos levantamentos históricos para ilustrar a dificuldade que terá Derrick Rose, se realmente quiser alcançar a sua meta. Vale lembrar também que nem sempre os melhores jogadores vencem o prêmio de melhor novato. Na temporada 2004-05, a discussão sobre quem deveria levar o prêmio se baseava em Ben Gordon e Emeka Okafor. O jogador do Bobcats levou a melhor, mas hoje é evidente que o melhor jogador daquele Draft é o superman Dwight Howard, do Orlando Magic. Dois anos antes, a situação era a mesma com LeBron James e Carmelo Anthony. James venceu e realmente é, na atualidade, muito mais jogador do que Anthony. Mas na época não era muito evidente a diferença entre os dois. E para falar somente em armadores, nada melhor que a safra de 2005, que trouxe Deron Williams e Chris Paul à liga. Os dois são hoje os mais talentosos jogadores que existem na posição. Contudo, não tiveram um grande impacto em suas equipes logo em suas chegadas, tendo o New Orleans Hornets, por exemplo, alcançado os playoffs apenas nessa última temporada.

Derrick Rose pode ter se precipitado um pouco ao querer mostrar um pouco de vontade a mais na sua declaração. Mas, ainda assim, é necessário dar tempo ao tempo e deixar o garoto se desenvolver naturalmente.

Agora sim.....tudo está perdido !


Infelizmente, a seleção masculina de basquete está fora dos Jogos Olímpicos em Pequim. Nessa sexta-feira a seleção Brasileira perdeu para a Alemanha por 78 a 65. O Brasil não se classifica para uma Olimpíada desde os Jogos de Atlanta, em 1996.

Depois de um primeiro quarto muito bom, perdendo apenas por 14 a 13, a seleção de Moncho parou em quadra no segundo e viu a Alemanha de Dirk Nowitzki deslanchar no placar. A partir dai o que se viu foi uma seleçào Brasileira abatida e sem reação em quadra e uma Alemanha apenas administrando a vantagem que tinha.

Um ponto relevante de ser comentado é o aproveitamento nas bolas de 3 pontos durante o jogo. Enquanto os alemães anotaram 13 ( sendo 5 do armador Pascal Roller ), o Brasil anotou apenas 3 de 21 tentativas. Um aproveitamento baixíssimo em se tratando de basquete de alto nível.

A seleção foi eliminada e ficará mais uma vez sem participar dos Jogos Olímpicos, mas fica aqui meu total respeito para com esse grupo que foi dar a cara a tapa em Atenas atrás dessa vaga. E fica também meu repúdio para alguns jogadores ( Leandro Barbosa, Nene, Varejão, Guilherme e Valtinho ) que pediram dispensa alegando problemas de ordem médica.

Quem sabe se tivessemos esses jogadores poderiamos estar comemorando uma vaga Olímpica ao invés de lamentar a derrota. Mas isso é apenas uma suposição, e acredito que em toda derrota devemos tirar alguma lição, e que o Brasil tenha aprendido algo com tudo isso, não dentro da quadra, mas fora dela. É preciso mais atenção, mais incentivo, mais investimento, mais respeito e muito mais organização. O basquete brasileiro merece isso, e nós, fãs do esporte, também!

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Nada está perdido......ainda !


A seleção masculina de basquete perdeu hoje para a forte equipe da Grécia pelo pré-olímpico mundial em Atenas. O placar final foi 89 a 69.

Como eu disse, no jogo contra o Líbano, não havia a possibilidade de analisar o time brasileiro pois o adversário era fraco. Mas hoje, depois do jogo contra os gregos, posso dizer que as coisas não estão boas para o time de Moncho Monsalve.

Depois de fazer um primeiro quarto muito bom, perdendo por apenas 18 a 17, se perdeu no segundo quarto contra uma defesa muito agressiva por parte dos gregos. Os brasileiros não conseguiram respirar com essa defesa e nossa válvula de escape, Marcelinho Huertas, saiu antes da metade do jogo pendurado com 4 faltas.

Com esse panorama desenhado, ficou fácil para a forte equipe da Grécia impor seu basquete e administrar a vantagem que tinha.

O destaque do Brasil foi novamente o pivô Tiago Splitter, com um jogo bastante consistente tanto na defesa quanto no ataque, ele mostrou ser um excelente jogador. O ponto negativo foi o ala Marcelinho Machado, que não conseguiu repetir as atuações anteriores pelo Brasil obtendo um baixo aproveitamento nas bolas de 3.

Nas quartas-de-final, o adversário da equipe brasileira será nada mais nada menos que a Alemanha do pivô Dirk Nowitzki. Mesmo contra essa difícil seleção, continuo esperançoso. Vamos torcer para que no próximo jogo do Brasil Tiago Splitter mostre seu basquete eficiente, que o Alex marque de forma agressiva, que Marcelinho Machado acerte seus chutes para 3 e que Marcelinho Huertas arme o jogo e faça o time todo jogar.

É esperar sexta-feira para ver, mas acredito nesse time e espero trazer boas novas no próximo post.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Última chance para Pequim



Depois de muito diz que me diz, novo técnico, desistência de jogadores e muito trabalho, o Brasil estreou hoje no Pré-Olímpico de basquete em Atenas contra o Líbano. Essa é a ultima chance do time brasileiro conseguir uma das três vagas e voltar a disputar uma Olimpíada depois de um intervalo de 12 anos.


E contra os Libaneses, o time de Moncho Monsalve não teve dificuldades para vencer por 94 a 54. Uma vitória importante, mas que não mostra muita coisa pela fragilidade da equipe adversária.


A partida foi tão tranquilidade que o treinador espanhol usou 11 de seus 12 jogadores nos primeiros 20 minutos - apenas Ricardo Probst não foi para a quadra. Com toda essa rotatividade não é possível fazer uma análise pormenorizada dessa equipe, vou esperar o próximo jogo contra a Grécia parar analisar essa seleção melhor.


Posso dizer que essa vitória é muito importante para a seleção, mas que os pés dos jogadores continuem no chão, trabalhando duro e focado na competição. Todas as pessoas com quem conversei está reticente com o basquete brasileiro, principalmente depois que seu principal astro ( Leandro Barbosa ) pediu dispensa da mesma, sem falar no Varejão e no Nenê.


Eu, indo contra todos, acho essa seleção boa e que pode sim trazer uma vaga desse pré olímpico. E vou mais além, com as saídas das estrelas, esse time ficou muito mais coeso e focado, um grupo fechado como dizem por ai. Gosto dessa equipe e do basquete que eles vem apresentando, um basquete mais para o estilo europeu, com uma marcação forte e saída de bola cadenciada.


Mas como eu disse, pés no chão, é isso que precisamos para alcançar a vaga. Nada está ganho ainda, principalmente porque o próximo jogo será contra a Grécia, que joga em casa e é favorita ao título.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Uma nova fase? - Introdução

por Fabrício Watanabe

(Esse é o primeiro de alguns posts que serão feitos nas próximas semanas. Este faz uma revisão das temporadas na década de 2000, e apenas dá uma pequeeeena introdução ao que será discutido posteriormente.)

A história da NBA pode ser dividida em grandes eras, quase que por décadas: a hegemonia dos Celtics nos anos 60, o Showtime dos 80, o Bulls dos 90 e etc. Em um menor espaço de tempo, pode-se nomear como "fases" os cenários da liga no que se diz respeito a grandes equipes e disputas de conferências. O basquete norte-americano pode estar entrando na sua terceira fase nesse término da oitava temporada da década de '00.

Vamos relembrar...

O primeiro período durou três ou quatro anos. Ou seja, foi desde o ano 2000 até no máximo 2003. Eesse intervalo ficou marcado pela dinastia do tricampeonato do Los Angeles Lakers, com base na dupla dinâmica Kobe/Shaq. Esse time continuou sendo uma figura fortíssima até o ano de '04, porém essas duas temporadas ficam mais caracterizadas como uma transição, pois não resultaram em títulos.

-Times fortes: Phoenix Suns ('00, '01), Utah Jazz ('00, '01), Portland Trail Blazers, Sacramento Kings, San Antonio Spurs, New York Knicks ('00), Miami Heat ('00, '01), Miwaukee Bucks ('01)Philadelphia 76ers ('01, '02), Indiana Pacers ('00, '01), Toronto Raptors (até '02), Boston Celtics ('02), New Jersey Nets
-Grande Potência: Los Angeles Lakers.
-Times em ascendência (no fim do período): Dallas Mavericks, Detroit Pistons, Phoenix Suns.


A segunda fase começa sua transição em '03, quando o Spurs de Duncan/Robinson e dos jovens Parker/Ginobili conseguem finalmente derrubar o Lakers e, na final, deixam o New Jersey Nets de Jason Kidd na vontade pela segunda vez seguida. No ano seguinte, mesmo com grandes times no Oeste, o equilibrado Pistons de Billups/Hamilton/Prince/doubleWallace sagrou-se campeão.
Em '06, foi a vez do time-de-curta-duração Miami Heat, com Shaq/Wade, vencer seu primeiro título. Os Mavericks, que tinham elimanado os Spurs, ficaram com o vice. Apesar de não ter conquistado títulos seguidos ('03, '05, '07), foi realmente o San Antonio Spurs o "time a ser batido" dessa segunda fase.

-Times fortes: Los Angeles Lakers (até '04), Minnesota Timberwolves ('04), Phoenix Suns ('05 até ?), Dallas Mavericks, New Jersey Nets ('03), Indiana Pacers('03, '04), Miami Heat ('05, '06), Cleveland Cavaliers ('06, '07), Detroit Pistons.
-Grande Potência: San Antônio Spurs.
-Times em ascendência: Utah Jazz, Denver Nuggets, Los Angeles Lakers , Houston Rockets, Chicago Bulls.

E agora?
O cenário da NBA balança nesse momento. O Boston Celtics renasce das cinzas, continuará forte nos próximos anos e obviamente é o time a ser batido no momento. Não muito atrás, New Orleans Hornets e Lakers também mostram sinais de força nos anos que estão por vir, principalmente por ter muito potencial em jogadores como Cris Paul, David West e Andrew Bynum. Nuggets, Hockets, Cavaliers e Suns possuem elencos talentosos, mas precisam de algo mais para estarem no nível dos três antes citados.
Mas o assunto do segundo post dessa série se diz respeito a três times que tiveram forte presença e ganharam títulos nessa década: Spurs, Mavericks e Pistons. Será que o envelhecimento vai destruí-los? Será que vão conseguir se renovar? Será o fim de temporadas vitoriosas para seus franchise players?

Seria a temporada 07/08 uma transição para uma nova fase?